quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Deslocamentos e Inversões de Polaridade Magnética

Um dos aspectos presentes – seja literal ou metaforicamente - em algumas profecias e mitos, ou lendas, refere-se à inversão do sentido de rotação da Terra. Relativamente a muitos acontecimentos descritos por profecias e lendas, estes poder-se-ão explicar por um fenómeno conhecido por inversão de polaridade magnética, que pode estar associado à inversão do sentido de rotação. De facto, os pólos terrestres (quer geográficos, quer magnéticos, quer geomagnéticos) oscilam ao longo do tempo sendo que, por vezes, estas oscilações são bruscas e impactantes – deslocamentos de pólos e inversões de polaridade magnética.
O termo pólo geográfico designa cada uma das extremidades do eixo imaginário da Terra e esta possui dois: Pólo Norte, ou Árctico e Pólo Sul, ou Antárctico. Os pólos geográficos da Terra não coincidem com os seus pólos magnéticos. Os pólos magnéticos são dois pontos da superfície da Terra onde se encontram as suas linhas de forças magnéticas: pólo norte magnético (ponto variável à superfície da Terra no qual o campo magnético terrestre aponta na direcção vertical) e pólo sul magnético (ponto variável à superfície da Terra onde as linhas de força do campo magnético terrestre são dirigidas na vertical e para cima).


Relativamente aos movimentos de oscilação do eixo terrestre e, consequentemente, dos seus pólos, temos os movimentos de precessão e de nutação. A precessão é um movimento periódico do eixo de rotação da Terra, com um período de cerca de 25.800 anos, correspondente à variação da eclíptica (plano da órbita da Terra ao redor do Sol) em relação à linha do Equador: o eixo terrestre movimenta-se para trás em relação à esfera celeste. A nutação é um movimento oscilatório periódico do eixo de rotação em torno da sua posição média. A nutação tem uma amplitude de 18'' e um período de 18,6 anos, realizando a Terra mais de 1300 ciclos de nutação durante uma volta completa de precessão. Estes movimentos devem-se ao facto de a Terra não ser esférica, mas achatada nos pólos, o que em conjunto com as forças gravitacionais do Sol, da Lua e, em menor intensidade, dos outros planetas, provoca estes fenómenos.

O nosso campo magnético é uma das maravilhas menos compreendidas do universo. Sabe-se basicamente apenas que o nosso campo magnético é electromagnético: a Terra é um dínamo gigantesco com um pólo norte e um pólo sul. A Terra age como um enorme íman devido à existência de uma massa de ferro no seu núcleo. Este gira a uma velocidade apenas um pouco maior que as massas circundantes. O núcleo interno sólido da Terra tem um raio de 1200 km e "frota" no núcleo externo líquido; ambos estão formados principalmente por ferro. A temperatura do núcleo interno é superior à do externo, portanto, espera-se que o núcleo interno também seja líquido. Mas, dado que a pressão é maior que a do núcleo externo, o ferro não pode derreter-se. Pela transferência de calor, aparecem correntes convergentes no núcleo externo e estas geram um campo magnético que se reforça a si mesmo. O núcleo externo pode considerar-se como um dínamo auto-reforçante. As correntes eléctricas no núcleo geram a maior parte do campo magnético, embora 10% seja produzida por correntes da ionosfera. Ao longo das eras geológicas, a orientação do campo magnético terrestre (e o dos outros planetas) pode mudar, de modo que o pólo norte magnético se torna sul e vice-versa – um fenómeno conhecido como inversão de polaridade magnética. Mas não são só os pólos magnéticos que mudam, os geográficos também.

Segundo Charles Hapgood, em “The Path of the Polé” (obra elogiada por Albert Einstein, que escreveu o seu prólogo) a crosta da Terra sofreu repetidos deslocamentos e estes produziram-se de maneira bastante repentina, em questão de dias ou talvez de horas, levando a mudanças climáticas e geográficas em todo o planeta. Segundo Hapgood, isto é explicável se a casca exterior da Terra, que é virtualmente rígida, de vez em quando suportar um extenso deslocamento das camadas interiores viscosas, plásticas e possivelmente fluídicas. Quando estes deslocamentos acontecem, alguns continentes movem-se para os pólos e outros afastam-se deles, o que altera a geografia da Terra. Hapgood encontrou provas de três posições diferentes do Pólo Norte: durante a última glaciação da América do Norte, o pólo parece ter-se localizado na baía de Hudson, iniciando-se neste local há 50.000 anos, antes encontrava-se localizado no Mar da Gronelândia e anteriormente no distrito de Yukon, Canadá; parece que se moveu para o seu local actual no meio do Oceano Árctico, há 12 000 anos atrás, data que coincide com o final da última era glacial. Nessa altura, houve um congelamento repentino, em plena actividade, de todos os seres do Alaska (animais, plantas e pessoas), bem como alterações atmosféricas no Alaska de uma violência sem par. Hapgood apresentou dados de que o último movimento da crosta terrestre aconteceu nessa altura. Se o Pólo Norte muda, o Pólo Sul também muda, tendo sido encontrados dados que provam diferentes localizações do Pólo Sul.
Desde esta obra de Hapgood, têm-se descoberto mais evidências que comprovam estes deslocamentos da crosta. Um número considerável de antigas praias que agora se encontram em grandes elevações sobre o nível do mar - e às vezes longe das actuais costas - evidenciam mudanças verticais drásticas nas posições das massas da Terra. O geólogo P. Negris encontrou provas de praias em três montanhas da Grécia - Monte Hymeto, Monte Parnaso e Monte Geraneia.

Existem também registos geológicos da Terra que indicam inversões magnéticas. Os deslocamentos dos pólos e as inversões de polaridade parecem então ser um facto comprovado por geólogos. Os cientistas concordam que a precessão afecta o campo magnético terrestre e que este parece mudar junto com a precessão. A intensidade do campo magnético aumenta e diminui num ciclo. Durante os últimos 2000 anos, a força do campo bipolar diminuiu 60%, o que pode significar que experimentamos um precursor de um novo intento de inversão de polaridade, que pode acontecer a qualquer momento.

Parece então existir um vínculo entre as eras glaciais, os deslocamentos de pólos geográficos, as inversões de polaridade magnética e a precessão. A causa de todas estas mudanças ainda não se revelou e quase todas as especulações conduzem a uma "força desconhecida". Existem porém algumas teorias para explicar o que impulsiona os deslocamentos e inversões: alterações drásticas no magnetismo solar que influenciam a Terra; massas de gelo num dos pólos ou em ambos que, ao acumularem-se, criam destabilização do balanço rotacional da Terra, causando uma derrapagem da crosta externa à volta do núcleo da Terra; um corpo celeste magnético incomum que passa muito próximo da Terra temporariamente, reorientando o campo magnético terrestre, de modo que arrasta a litosfera para um novo eixo de rotação; um cometa ou asteróide que atinge a Terra a alta velocidade num ângulo que permite o movimento da litosfera independentemente do manto ou que provoca um deslocamento total do eixo terrestre; perturbações da topografia entre núcleo e manto, talvez induzidas por uma rotação diferencial do núcleo e deslocamento do seu vector de eixo de rotação.

Para alguns, a inversão de polaridade magnética despoleta os movimentos da crosta terrestre e a alteração do movimento de rotação, para outros, a inversão magnética é secundária aos deslocamentos terrestres e à alteração de rotação. No primeiro caso, o cenário previsto após a inversão magnética dos pólos inclui a Terra a começar a mover-se para o outro lado; em consequência, a crosta terrestre exterior se arrancará e ficará a flutuar, solta; o planeta inclinar-se-á e ao olhar o céu parecerá que este "vem abaixo", como o descrevem as antigas escrituras; produzir-se-ão sismos colossais, montanhas se elevarão onde não havia nada, partes da Terra se abrirão e paralisarão, as montanhas irão desmoronar-se, vulcões entrarão em erupção em muitos lugares e, por fim, a maior catástrofe acontecerá, pois devido à inércia, o movimento dos oceanos não pode deter-se e uma gigantesca onda cobrirá a Terra.

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