quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Livros Maias

O sistema de escrita maia (geralmente chamada hieroglífica por uma vaga semelhança com a escrita do antigo Egipto) era uma combinação de símbolos fonéticos e ideogramas. As decifrações da escrita maia têm sido um longo e trabalhoso processo. Algumas partes foram decifradas no final do século XIX e início do século XX (na sua maioria, partes relacionadas com números, calendários e astronomia), mas os maiores avanços fizeram-se nas décadas de 1960 e 1970 e daí em diante. Lamentavelmente, os sacerdotes espanhóis, na sua luta pela conversão religiosa, ordenaram a queima de todos os códices maias logo após a conquista. Assim, a maioria das inscrições que sobreviveram são as que foram gravadas em pedra.
Os poucos livros maias existentes actualmente são os Chilam Balam (ou O Livro do Adivinho das Coisas Ocultas), o Popol Vuh, o Rabinal Achí, os Anais dos Caqchiqueles e os Códices Maias.

Os livros maias de Chilam Balam, designados pelos nomes de localidades iucatecas como Chumayel, Mani e Tizimin, são geralmente colecções de textos díspares. Os maias iucateques atribuíam estes livros a um autor lendário chamado Chilam Balam, sendo um chilam um sacerdote que fornecia oráculos. Alguns dos textos consistem mesmo em oráculos sobre a chegada dos espanhóis ao Iucatão e mencionam um chilam Balam como o seu primeiro autor. A tradição estendeu esta autoria de forma a abranger todos os textos díspares encontrados num determinado manuscrito. Os textos tratam sobretudo de história (tanto pré-hispânica como colonial), calendários, astrologia e ervas medicinais. Escritos em língua maia iucateca, os manuscritos são oriundos dos séculos XVII e XIX, embora muitos dos textos que acabaram por ser incluídos nestes livros datem do tempo da conquista espanhola. Assume-se que nos livros mais antigos, o elemento profético fosse mais proeminente. Os seus textos históricos e astrológicos são realmente esotéricos. Em várias passagens destes textos surgem pequenos fragmentos de informação importantes sobre a antiga mitologia. Além do seu valor intrínseco, os textos históricos (ou crónicas) são particularmente importantes pois estão construídos com base no calendário maia (ainda que com algumas adaptações ao sistema de calendário europeu) e contêm antigas previsões para períodos tun e baktun.
Popol Vuh, que significa livro da reunião ou comunidade, é um dos poucos livros que restaram da civilização Maia e é considerado a Bíblia maia. Trata-se de uma compilação de diversas lendas que se referem às explicações das origens dos maias e dos fenómenos naturais que os cercavam, lendas estas provenientes de diversos grupos étnicos da actual Guatemala ao sul da península do Iucatão.

Rabinal Achí é uma obra literária representativa da cultura maia pré-colombiana e foi declarada Obra-prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2005. O nome original da obra é Xajooj Tun que significa Dança do Tambor. É um drama dinástico dos maias kek' datado do século XV e um exemplo raro das tradições pré-hispânicas. Nele misturam-se mitos da origem do povo queqchi e as relações político-sociais do povo de Rabinal, Baja Verapaz, Guatemala, os quais são expressos por meio de máscaras, dança, teatro e música. Desde a colonização que o Rabinal Achí é representado durante a festa de Rabinal.

Os Anais dos Caqchiqueles é um livro escrito na língua caqchiquel por Francisco Hernández Arana Xajilá em 1571 e completado pelo seu neto, Francisco Rojas em 1604. O livro relata a história, mitologia e lendas do povo caqchiquel. A parte mítica e lendária, preservada oralmente ao longo de séculos, foi recolhida e mantida por membros do clã Xahil. A narrativa histórica continua com os feitos de reis e guerreiros e suas várias conquistas, a fundação de aldeias e a sucessão de governantes até à época da conquista espanhola. Tal como o Popol Vuh, os anais identificam a quase lendária Tulan como o local de onde todos eram originários. A narrativa caqchiquel é bastante triste, descrevendo a partida dos ancestrais de Tulan acompanhada de maus augúrios e pressagiando morte e desapontamento.

Os Códices Maias

Códices são livros manuscritos, geralmente em pergaminho, que constituem autênticas obras de arte. Os códices vieram substituir os rolos (papiros enrolados num cilindro de madeira) comumente utilizados na antiguidade. Os códices maias são livros desdobráveis produzidos pela civilização maia pré-colombiana, produto do trabalho de escribas profissionais. Os textos estão redigidos em caracteres hieroglíficos maias que foram inscritos sobre papel mesoamericano produzido a partir da casca de algumas árvores, sobretudo algumas espécies de figueira (Ficus padifolia e Ficus cotinifolia). Este papel, conhecido geralmente pela designação náuatle amatl era chamado huun pelos maias. Os maias desenvolveram o seu huun cerca do século V e, comparado com o papiro, era mais durável e mais apropriado à escrita.
Actualmente, os códices têm os nomes das cidades onde acabaram por ficar. Apenas três códices e o possível fragmento de um quarto chegaram até à actualidade: Códice de Dresden, Códice de Madrid , Códice de Paris e Códice Grolier (ou Fragmento Grolier). O Códice de Dresden é geralmente considerado o mais importante dos que ainda restam.
Na altura em que ocorreu a conquista espanhola do Iucatão, no século XVI, existiam muitos livros deste tipo, mas foi levada a cabo a sua destruição de modo sistemático, primeiro pelos conquistadores e mais tarde pelos padres. Tais códices eram registos escritos primários da civilização maia, juntamente com as muitas inscrições em monumentos de pedra e estelas que ainda hoje existem. No entanto, a abrangência de assuntos deveria ser muito maior que os registados em pedra e nas construções, devendo ser mais parecida com a que se encontrou em cerâmicas pintadas. Estes livros foram vistos pelo clero católico e foram queimados, aparentemente porque pensavam que os livros podiam prejudicar os índios em matérias relativas à religião, uma vez que por essa altura encontravam-se no início da sua conversão. Com a sua destruição, a possibilidade de aprender algo mais sobre alguns aspectos da vida maia foi drasticamente diminuída.

- Códice de Dresden
O Códice de Dresden encontra-se na Sächsische Landesbibliothek, a biblioteca estadual de Dresden, na Alemanha. É o mais elaborado dos códices maias, bem como uma importante obra de arte. Muitas secções são ritualistas (incluindo os chamados almanaques), outras são de natureza astrológica (eclipses da Lua, ciclo de Vénus). O códice encontra-se escrito numa longa folha de papel dobrada de forma a produzir um livro de 39 folhas, escritas em ambas as faces. Teria sido escrito pouco tempo antes da conquista espanhola. De algum modo chegou à Europa e foi comprado pela biblioteca real da corte da Saxónia em Dresden, em 1739. Foi descodificado em 1880, tornando assim possível traduzir muitas inscrições encontradas nas ruínas e artefactos maias.


- Códice de Madrid
Apesar de a qualidade da execução ser inferior, o Códice de Madrid é ainda mais variado que o Códice de Dresden e foi elaborado por oito escribas diferentes. Encontra-se no Museo de America em Madrid, Espanha, para onde foi enviado por Hernán Cortés. É constituído por 112 páginas, anteriormente divididas em duas secções separadas, conhecidas como o Códice Troano e o Codex Cortesianus, tendo sido reunidas em 1888.


- Códice de Paris
O Códice de Paris contém profecias para tuns e katuns (sendo, neste aspecto, semelhante aos Livros de Chilam Balam) e descreve ainda o calendário Tun-Uc (calendário lunar). Foi encontrado num caixote de lixo numa biblioteca de Paris e, como tal, encontra-se em muito mau estado. Encontra-se actualmente na Bibliothèque Nationale, em Paris, França.

- Códice Grolier
Enquanto os outros três códices são conhecidos dos estudiosos desde o século XIX, o Códice Grolier surgiu apenas na década de 1970. Afirma-se que este códice maia foi encontrado numa gruta, mas a questão da sua autenticidade ainda não foi resolvida de forma definitiva. Não se trata de um códice completo, mas sim de um fragmento com 11 páginas. Encontra-se actualmente num museu no México, mas não se encontra em exibição ao público. As páginas são muito menos detalhadas do que em qualquer um dos outros códices. Cada página mostra um herói ou um deus, olhando para a sua esquerda. No cimo de cada página encontra-se um número. Ao longo da margem esquerda de cada página encontra-se o que parece ser uma lista de datas.


Dada a raridade e importância destes livros, rumores relativos à descoberta de novos códices despertam interesse. As escavações arqueológicas de sítios maias têm encontrado vários amontoados de estuque e flocos de tinta, sobretudo em túmulos. Estes amontoados são códices em que todo o material orgânico se decompôs. Os códices maias mais antigos que se conhecem foram encontrados por arqueólogos em ofertas funerárias em escavações efectuadas. Estes seis exemplares descobertos em escavações datam do período clássico inicial, do clássico tardio e pós-clássico inicial e infelizmente todos foram alterados pela pressão e humidade durante os muitos anos que permaneceram enterrados, encontrando-se reduzidos a massas de pequenos fragmentos, não sendo provável que alguma vez venham a ser lidos.

2 comentários:

jessica lima de andrade disse...

incrível q depois de tanto tempo algumas coisas realmente se batem...
desde pequena vejo meu pai falar sobre esse livro maia, mas nunca pude imaginar q ele fosse tão interessante assim....
é como informação pode modificar o ponto de vista das pessoas ....

jessica lima de andrade disse...

bom até d mas pra ser verrdade