domingo, 1 de fevereiro de 2009

Códice de Dresden, Vénus e manchas solares

O Códice de Dresden é o mais elaborado e o mais importante dos códices maias e apresenta, entre outros, registos de natureza astronómica, como detalhadas tabelas de eclipses da Lua e o ciclo de Vénus. Este ciclo era importante para os maias: existem seis páginas no Códice de Dresden dedicadas ao cálculo preciso da localização de Vénus.

Vénus era conhecido como planeta desde os tempos pré-históricos (para os sumérios e babilónios era Dil-i-pat, para os chineses era Jīn-xīng) e os seus movimentos no céu eram conhecidos pela maioria das antigas civilizações. Vénus pode ser visto na Terra poucas horas antes do amanhecer (quando recebe o nome de Estrela da Manhã ou Estrela d'Alva) ou pouco depois do anoitecer (quando recebe o nome de Estrela da Tarde ou Estrela Vésper). Nos períodos em que Vénus está mais brilhante pode ser visto durante o dia, sendo um dos dois únicos corpos celestes que podem ser vistos tanto de dia como de noite (sendo o outro, a Lua). Vénus apresenta diferentes fases de uma forma parecida às da Lua.
Vénus tem uma órbita parecida com um círculo, ao contrário dos outros planetas que exibem órbitas elípticas. Este planeta gira sobre si mesmo lentamente num movimento de Este a Oeste (sentido horário) ao invés de Oeste a Este (sentido anti-horário) como os demais planetas (excepto Urano e Plutão). O ciclo entre duas inclinações máximas dura 584 dias (período sinódico). Depois de 584 dias, Vénus aparece numa posição a 72° da inclinação anterior. Depois de 5 períodos de 72° em uma circunferência (5 x 584 = 2 920 dias), Vénus regressa ao mesmo ponto do céu, a cada 8 anos (8 anos de 365 dias cada = 2 920 dias). Este período era conhecido no antigo Egipto como o ciclo Sothis.
Os Trânsitos de Vénus acontecem quando este planeta cruza directamente o caminho entre a Terra e o Sol, eclipsando-o, e são eventos astronómicos relativamente raros. Os trânsitos só podem ocorrer em Junho ou Dezembro, sendo estes os momentos em que Vénus cruza a eclíptica (o plano em que a Terra orbita ao redor do Sol). Os Trânsitos de Vénus ocorrem numa sequência que se repete a cada 243 anos, com pares de Trânsitos espaçados de 8 anos seguidos de 2 longos intervalos de 121,5 e 105,5 anos. O presente par de trânsitos é o de 8 de Junho de 2004 e 6 de Junho de 2012. Carl Calleman refere que existe uma profecia maia que diz que um novo mundo de consciência nascerá na ocasião do trânsito de Vénus de 2012, alertando também para o facto de o primeiro e último katuns do actual Ciclo de Conta Longa testemunharem estes raros trânsitos.

Vénus é um dos mais importantes corpos celestes observados pelos maias (provavelmente deu-se-lhe mais importância em conjunto com o Sol), a que chamaram Chak ek (a grande estrela). Os maias pensavam que as posições de Vénus e de outros planetas tinham influência sobre a vida na Terra e eles e outras culturas pré-colombianas programaram as suas guerras e outros eventos importantes, como coroações, baseando-se nas suas observações.

Para alguns, o verdadeiro tema do Códice de Dresden é o ciclo das manchas solares. Maurice Cotterell, reconhecido escritor, engenheiro e cientista, realizou uma descodificação deste códice que aponta nesse sentido. Ele suspeitou que a variação dos campos magnéticos do Sol traz consequências à vida na Terra e desenvolveu um programa que processou as observações dos campos magnéticos da Terra e do Sol, chegando a gráficos que mostram ciclos de 1 366 560 dias, número este que surge em destaque no Códice de Dresden. Este número pode ser factorizado em dois dos calendários usados pelos maias, o Tzolkin de 260 dias e o Haab, de 365 dias.

Nas páginas deste Códice, os maias mostram um ciclo (de 2920 dias) em 5 grupos de 584 dias cada e tudo indica que utilizaram o ciclo de Vénus de 584 dias para fazer os seus cálculos solares. Apresentam que a cada 117 giros de Vénus (117x584 = 187,2 anos ou 68 328 Kins = 68 328 dias) o Sol apresenta mudanças, enormes manchas e aumento dos ventos solares. Mostram ainda que a cada 1 872 000 Kins, ou 5125 anos, as mudanças no Sol são maiores (com direito a inversão magnética), sendo estas sinónimo de mudança e destruição na Terra. 2012 fecha um ciclo de 5125 anos.
Descobriu-se que os maias tinham outro sistema de contagem dos dias, chamado Nascimento de Vénus. Este calendário era dividido em meses (uinals) de 20 dias, anos (tuns) de 360 dias (cada ano com 18 meses) e longos períodos de 7200 dias (katun = 20 anos) e de 144 000 dias (baktun = 394,5 anos). O número 13 era importante para eles, que acreditavam que, com o nascimento de Vénus após 13 baktuns (aproximadamente 5125 anos, o Ciclo de Conta Longa), o mundo chegaria ao fim. Segundo a cronologia maia, a era actual começou em 13 de Agosto de 3113 a.C. (data que marca o nascimento de Vénus) e deve terminar a 21 de Dezembro de 2012, data em esta estrela morrerá simbolicamente, ou, segundo linguagem astronómica, quando Vénus desaparecer por trás do horizonte ocidental, no mesmo instante em que a constelação das Plêiades nascerá a Este.
Ernst Förstemann, funcionário da biblioteca de Dresden que em 1880 estudou o Códice de Dresden, achava que a cadeia de dias organizada pelo calendário sagrado não correspondia a nenhum ritmo celeste - embora o número 1 366 560 e a chamada data de nascimento de Vénus (então fixada em 13 de Agosto de 3113 a. C.) também lhe tivessem chamado a atenção.
Cotterell concluiu que Vénus deve ter sido monitorizado pelos maias para auxiliar o acompanhamento dos ciclos das manchas solares, dado esperarem a inversão magnética solar após um determinado número de ciclos. Vénus parece ser então um indicador para encontrar o ano correcto dos cataclismos e não tem nenhuma influência nos mesmos.

Para os maias, Deus (a quem chamavam de Hunabku) é a energia radiante existente no núcleo da Via Láctea e, de lá, emite ordens que nos são transmitidas através dos raios solares. Assim, o Sol não seria apenas a fonte e o sustentáculo da vida, mas também o mediador da informação que chega até ele de outros sistemas estelares através da energia radiante.
Recentemente, os físicos aperceberam-se da influência de radiações que atravessam a Via Láctea. A astrofísica actual descreve essas radiações como ondas de densidade que varrem a galáxia e influenciam a sua evolução: em princípio, toda a formação estelar deve-se a essa radiação. Esta está também comprometida com a evolução da Terra e da vida: vem-se espalhando pela galáxia e, sempre que atravessa o Sol, altera a sua dinâmica e também a energia radiante que banha a Terra. Muitos acreditam que essas diferentes radiações conseguirão explicar como o desenvolvimento da vida na Terra se foi moldando: "Cada vez mais compreendemos que o formato das folhas das árvores, por exemplo, foram moldados não apenas por selecção natural aqui na Terra, mas pela acção da galáxia como um todo", afirma o físico e matemático Brian Weimme.
De facto, sabemos que a vida depende da luz solar, mas o Sol transmite muito mais do que luz. Ele irradia também raios cósmicos através do espectro electromagnético. Estes potentes raios têm o poder de transformar átomos e poderiam matar toda a vida na Terra se não existisse um escudo protector na atmosfera – a camada de ozono. Esses raios provocam reacções nucleares na atmosfera e transformam os átomos de nitrogénio que a compõem numa forma mais pesada de carbono, cujo peso fica 14 (C14), ao invés dos 12 (C12) normais. Embora se comporte como o carbono comum, que é importante para a vida, o C14 é radioactivo. Em alguns momentos de alta actividade solar, que geram muitas manchas no sol, essa radiação solar diminui; noutros momentos, onde há menos actividade solar, essa radiação aumenta. Ao determinar a regularidade dos ciclos de aparecimento e desaparecimento de manchas solares, Cotterell apercebeu-se de que todos os momentos de apogeu e de declínio de grandes civilizações coincidiram com alterações na actividade solar.

Os Maias adoravam o sol como deus da fertilidade. Segundo Cotterell, há várias evidências de que o sistema endócrino de mulheres privadas de Sol durante grandes períodos sofrem grandes alterações, afectando severamente a produção de estrogénio e de progesterona - hormonas ligadas à fertilidade e à menstruação - e a produção de melatonina - hormona ligada ao biorritmo, à sincronização. A provar esta teoria, há um artigo publicado na revista New Scientist, em Junho de 1989: Stefania Follini passou quatro meses numa caverna no Novo México; o seu dia tinha a duração de 35 horas, intercalado com períodos de sono de aproximadamente dez horas; ela perdeu 7,7 kg e houve interrupção do seu ciclo menstrual; Follini também pensou ter passado somente dois, e não quatro meses, dentro da caverna.
Deste modo, para Cotterell, a ascensão e a queda das idades do mundo e das civilizações coincidem com os ciclos das manchas solares. Defende que a redução da actividade solar (que teve efeitos mais severos nas regiões equatoriais) causou diminuição da fertilidade dos maias, mutações genéticas (um dos filhos do rei-profeta Pacal Votan nasceu com seis dedos em cada mão) e o rápido desaparecimento da sua civilização. Por volta de 900 d.C., a civilização maia começou a sofrer um declínio de população e os seus centros urbanos foram abandonados por motivos até hoje misteriosos. Os seus habitantes voltaram à vida simples nas aldeias no campo, onde os seus descendentes vivem até hoje.
Se a teoria de Cotterell for verdadeira, revela-se assombroso, porque a actividade solar é uma matéria ainda parcialmente conhecida pelos astrónomos actuais.

A civilização maia acreditava em ciclos recorrentes de criação e destruição: a cada ciclo de 5125 anos finaliza uma humanidade (ou raça) na Terra - primeiro a destruição, seguida pela regeneração que traz o ciclo seguinte, o Sol. A recriação do mundo na nossa era actual deu-se em 3113 a.C. e termina a 21 de Dezembro de 2012. Com catástrofes ou não, começamos a entender que a chamada adoração ao Sol por parte desta civilização era, na realidade, o reconhecimento de que este astro lhes transmitia muito mais do que luz e calor. Talvez seja importante não desprezar a sabedoria destes cientistas extraordinários que eram os maias.

8 comentários:

Sampaio disse...

Aprofundando mais no assunto, depois da leitura, eu penso que os indícios para o acontecimento são fortes. O jeito é esperar para ver. Vale a pena a leitura.

Third_Eye disse...

Olá Sampaio!
Sim, neste caso os indícios parecem ir bastante nesse sentido! A ver vamos, como diz :)
Obrigado pela visita e pelo comentário, é bom termos feedback dos conteúdos do blog :)

Maristela disse...

Tenho sérias dúvidas sobre as "interpretações" de Maurice Cotterell acerca do Códice de Dresden.

Pior é que as pessoas tomam isso por verdade e saem por aí divulgando como se fosse verdade inconteste.

José Manuel disse...

Não fosse os acontecimentos actuais ao nível da humanidade, eu não levaria tão a sério os avisos.

"Náh" disse...

gostei muito dos seus relatos mais tenho duvidas esplicitas de acontecimentos resentes e gostaria que vc tirasse algumas de minhas duvidas, e claro se fosse possivel obrigado pela atençao valeu a pena ler

Lourdinha disse...

O que vem acontecendo com a humanidade, como: placas tectonicas,tsunamis, desastres aéreos e terrestres, inundações, já são um indício de que tudo isso pode acontecer (já está acontecendo). Eu não duvido.
A humanidade é muito incrédula. Abram os olhos.

Anónimo disse...

Os humanos merecem ser exterminados, são uma praga para o meio ambiente, destruimos rapidamente outras especies, espero assistir a proxima inversao magnetica da minha sala de tv.

Anónimo disse...

É notório que os acontecimentos se sucedem numa ordem cronológica. É natural e verdadeiro que há forças no Universo que coordenam e orquestram todas essas mudanças, mas tudo contribui e contribuirá para que a Humanidade desperte para o seu interior, para uma vida voltada à espiritualidade e espiritualização. Os eventos aí estão para que haja esse despertar, pois é no meio dos grandes conflitos que o "ser" espiritual, pensa, raciocina e "desperta" para sua verdadeira identidade! Pensem a respeito!