quinta-feira, 5 de março de 2009

Precessão e Zodíaco

Em diversos posts tem-se falado da precessão, chegou a altura de abordarmos este movimento de modo menos superficial ou mais completo.

A Terra oscila muito lentamente em torno do seu eixo e a esta oscilação chama-se Precessão, Precessão do Eixo da Terra ou Precessão dos Equinócios. Este movimento foi descoberto por astrónomos gregos há mais de 2000 anos atrás. A precessão é um movimento periódico do eixo de rotação da Terra, com um período de cerca de 26 000 anos, correspondente à variação da eclíptica (plano da órbita da Terra ao redor do Sol) em relação à linha do Equador: o eixo terrestre movimenta-se para trás em relação à esfera celeste. Os movimentos de rotação e de translação seriam os únicos que a Terra executaria se fosse perfeitamente esférica, mas é achatada nos pólos e bojuda no equador, é uma elipsóide de forma irregular. Devido a isto, é afectada pelas atracções gravitacionais do Sol e da Lua e, em menor intensidade, dos restantes planetas, que provocam uma espécie de lento balanceio da Terra.

As forças diferenciais do Sol e da Lua na Terra tendem não apenas a achatá-la ainda mais, mas também a endireitar o seu eixo, alinhando-o com o eixo da eclíptica. No entanto, o seu efeito é mudar a direcção do eixo de rotação, sem alterar sua inclinação. Como a Terra gira, o seu eixo não se alinha com o eixo da eclíptica, mas precessiona em torno dele, da mesma forma que um pião posto a girar precessiona em torno do eixo vertical ao solo. Este movimento assemelha-se assim ao de um pião que, ao girar sobre o seu eixo, oscila lentamente enquanto se move no espaço. Este movimento resulta, entre outras, na alteração da posição dos pólos celestes e das coordenadas de posição das estrelas.


Assim, os pólos celestes não ocupam uma posição fixa no céu: cada pólo move-se lentamente em torno do respectivo pólo da eclíptica, descrevendo uma circunferência em torno dele com um raio de 23,5º. Actualmente o Pólo Celeste Norte está nas proximidades da estrela Polar, na constelação da Ursa Menor, daqui a cerca de 13 000 anos ele estará nas proximidades da estrela Vega, na constelação de Lira.

O movimento de precessão coloca o eixo norte da Terra a apontar sucessivamente para diferentes estrelas no decorrer do tempo. Ao fim de um ciclo completo o eixo norte apontará para a mesma estrela novamente. Devido a este movimento, a posição dos Equinócios (data em que o dia e a noite têm a mesma duração) desloca-se para trás ao longo da eclíptica no sentido de ir ao encontro do Sol e o Equinócio de Primavera passa a acontecer com a entrada do Sol em diferentes constelações da eclíptica, ou seja, em diferentes signos do Zodíaco. A este fenómeno deu-se o nome de Precessão dos Equinócios. Actualmente, devido à precessão, o ponto vernal (posição do Sol ao cruzar o equador celeste no Equinócio de Primavera, no Hemisfério Norte) encontra-se em Peixes, podendo dizer-se que nos encontramos na era de Peixes.

A precessão não tem nenhum efeito importante sobre as estações, uma vez que o eixo da Terra mantém sua inclinação de 23,5º em relação ao eixo da eclíptica enquanto precessiona em torno dele. Como o ano do nosso calendário é baseado nos Equinócios, a Primavera continua a iniciar em Março no Hemisfério Norte e em Setembro no Hemisfério Sul. A única coisa que muda são as estrelas visíveis no céu durante a noite em diferentes épocas do ano. Por exemplo, actualmente Órion é uma constelação característica de Dezembro e Escorpião é uma constelação característica de Junho. Daqui a 13 000 anos será o oposto.


- O Zodíaco
Zodíaco é um termo grego que significa círculo de animais. O Zodíaco é uma faixa do firmamento celeste por onde se deslocam o Sol, a Lua e os planetas (excepto Plutão que nem sempre está nesta faixa), com divisões que representam constelações na astronomia e signos na astrologia. Estas constelações ou signos são representados na sua maioria por animais.
A Eclíptica é o círculo máximo da Esfera Celeste que representa a trajectória anual do Sol em seu movimento aparente ao redor da Terra. O movimento aparente do Sol é uma consequência do movimento de translação da Terra. Para o observador terrestre, a Terra parece fixa e tem-se a impressão que é o Sol que, em um ano, faz uma volta pela Esfera Celeste, percorrendo a linha central do Zodíaco (a Eclíptica). O Sol, deslocando-se pela mesma, atravessa 13 constelações denominadas constelações zodiacais: Pisces, Aries, Taurus, Gemini, Cancer, Leo, Virgo, Libra, Scorpius, Ophiuchus, Sagittarius, Capricornus e Aquarius. Todos os dias antes do amanhecer, na direcção em que o Sol nasce, pode-se ver uma constelação a elevar-se antes do Sol; esta constelação surge durante um número variável de dias, depois surgirá outra constelação do Zodíaco.
Assim, em astronomia, Zodíaco é o conjunto de (13) constelações cortadas pela eclíptica. Em astrologia, o conceito de Zodíaco tem interpretações diferenciadas quer se trate de astrologia ocidental, chinesa ou védica. Na astrologia ocidental, o Zodíaco é representado como uma circunferência onde estão colocados os planetas da forma como se apresentavam no céu no momento do nascimento do assunto estudado; os 360 graus da circunferência estão divididos em 12 signos zodiacais e cada um é regido por um planeta/astro.

A faixa zodiacal teve importância para quase todos os povos da antiguidade pela presença dos astros que se movimentavam no céu, em especial do Sol, cuja posição determinava o início e o decurso das estações do ano. É improvável que as constelações zodiacais tenham permanecido inalteradas por milénios, as configurações das constelações certamente variaram de povo para povo. A concepção adoptada nos dias de hoje e reconhecida pela Astronomia moderna é a concepção grega do Zodíaco. Os gregos antigos, em especial, e os romanos absorvendo grande parte de sua cultura, atribuíam aos conjuntos de estrelas situados na região do Zodíaco, histórias e lendas associadas com os feitos de seus heróis, deuses e semi-deuses.

No Egipto, o Zodíaco era sagrado. Cada constelação correspondia a uma era diferente e sempre que uma nova era começava, reconstruíam-se os templos, jardins, estátuas, para que se enquadrassem com a mesma.
Na actualidade, contamos com períodos iguais para cada era: uma era dura 2148 anos na sua constelação. Segundo Geryl, os atlantes calculavam as eras de maneira diferente: dado que os signos estelares não tinham os mesmos tamanhos, empregavam períodos diferentes. A soma dos anos de cada era dava a duração do ciclo completo de precessão. A duração das diversas eras também foi distinta para os egípcios.
Baseando-se em cálculos, Geryl afirma que 25 920 anos é a duração de um ciclo completo zodiacal e de precessão. No entanto, defende que um ciclo de precessão de 25 920 anos nunca existe e que quando um ciclo alcança os 25 776 anos de precessão, a Terra altera o seu movimento de rotação e há uma mudança catastrófica de era.
Geryl fala em três cataclismos na história da Terra. Na altura do primeiro, o Zodíaco passou da era de Virgem a Leão e desta a Virgem de novo - houve uma inversão da direcção do Zodíaco e da rotação da Terra. O Zodíaco seguiu o seu rumo (Virgem, Balança, Escorpião, Sagitário) e em Sagitário houve não uma inversão da rotação da Terra e das eras, mas “apenas” uma mudança repentina de era, um giro muito rápido no Zodíaco, passando para a era de Aquário (saltando a era de Capricórnio). Daqui, o Zodíaco seguiu o seu rumo (Aquário, Peixes, Carneiro, Touro, Gémeos, Caranguejo, Leão) e, na era de Leão, onde se deu o cataclismo que destruiu a Atlântida, inverteu-se de novo a direcção das eras, em conjunto com a inversão da rotação da Terra. Esse é o movimento que ainda seguimos na actualidade (Leão, Caranguejo, Gémeos, Touro, Carneiro e Peixes).

O ciclo de precessão tem sido associado com as eras glaciais, com o ciclo das manchas solares, bem como com as mudanças do campo magnético terrestre (a precessão afecta o campo magnético terrestre e este parece mudar junto com a precessão).

10 comentários:

Anónimo disse...

sou leigo em ciência(astronomia).Mas acredito na precessão terrestre,quem garante que os astronomos antigos não estejam errados,pelo o fato de que os astros no universo não sejam fixos e se movam de tempos em tempos,como podemos ter coordenadas de algo assim.

Third_Eye disse...

Olá caro anónimo, obrigado pela visita e pelo comentário, é bom termos feedback dos conteúdos do blog :)

Anónimo disse...

muito interessante esta postagem. está hoje em dia na moda falar destas coisas, e ainda falta tanto tempo para o inicio da era de aquario... mas é bom que assim seja, sem este tipo conhecimento muitas coisas que os antigos disseram são deveras incompreensiveis, como por exemplo os tão famosos mal entendidos sobre as palavras de jesus o cristo.
bem, de qualquer modo queria dizer-te que consultei esta postagem e gostei de a ler.

valdomz disse...

ultimamente tenho me interessado muito pelo tema: alinhamento galáctico. poderia falar um pouco mais sobre isso? e seus efeitos?

Third_Eye disse...

Namasté, caro anónimo, obrigado pela visita e pelo comentário, é bom termos feedback dos conteúdos do blog :) E quem sabe outras postagens do blog também lhe interessem...

Third_Eye disse...

Olá, caro Valdomz, temos um post no blog sobre o alinhamento galáctico, de momento é o que sabemos sobre o assunto... Obrigado pela visita.

Maikel Loss disse...

Eu acredito nas Eras Zodiacais desde que eu descobri que o mito de Jesus Cristo é uma descrição do caminho que o sol percorre pelos signos. Agora eu meti na minha cabeça que a 13° constelação (Ophiucus) é o 666 que trará o apocalipse. Se cada Era dura 5.125 anos e existem 13 Eras, então 13x5125=666. Alguém tem uma ideia de como agente pode passar pela tribulação e conseguir sobreviver? Oque comer, onde se abrigar etc? Obrigado.

Holos disse...

Olá Maikel,

Como é que sabe que Jesus Cristo é um mito? Vou lhe dar apenas a minha opinião : se tirou essa conclusão depois de ver o filme zeitgeist, então deve ter algum cuidado, porque, embora haja coisas que fazem sentido nesse filme, outras não fazem sentido nenhum. Em relação à parte da religião, existem algumas coisas que foram ditas nesse filme que não correspondem à verdade. É verdade que o cristianismo foi influenciado por cultos pagãos já existentes, ou seja, determinados pormenores e datas que eram pagãs foram transformadas em cristãs, principalmente no que diz respeito a Mitra, o deus sol. Portanto, houve uma cristianização desse culto pagão já existente. Mas ficamos por aí, o resto que é falado no filme já não é bem verdade... E este processo não aconteceu só no cristianismo, provavelmente também aconteceu noutras religiões. Mas daí a dizer que jesus Cristo é um mito e nunca existiu, acho que não faz sentido. Não nos podemos basear no zeitegeist para tirar essa conclusão.
Em relação ao resto que você refere,embora eu sinta que estamos a passar por uma mudança qualquer e possivelmente uma transição para outra coisa, não faço ideia nenhuma do que exactamente poderá vir acontecer! Mas não entre em stress, não vale a pena, provavelmente.

Anónimo disse...

Hoje é dia 6 de Setembro de 2012, o que, segundo o que tenho vindo a ler significa que algo cósmico está para acontecer muito em breve.
Três meses mais exactamente.
O que eu acho verdadeiramente assustador não são os fenómenos espaciais ou as coincidências cósmicas.
O que verdadeiramente me assusta é o modo como o ser humano desrespeita a natureza, duma maneira completamente infame, e caminha para a autodestruição com a venda da importância do que é material.
Acredito no equilíbrio da natureza e no seu poder absoluto em restabelecer a ordem, ainda que para isso a raça humana tenha que se extinguir, como aconteceu com os dinossauros.

criz.souza disse...

Muito interessante o post. Obrigado, abriu a porta para muitos outros pensamentos e pesquisa.

Maikel, não tinha ouvido falar dessa versão de Cristo. Confesso que apesar de passar 24 anos da vida como agnóstico me possibilitou procurar entender a bíblia fora das rédeas de qualquer religião.

Quanto à forma de "salvação", creio que como indicam os sinais na Bíblia, nossos pensamentos e ações nos marcam e marcam nossas almas, afinal, se estamos encarnados é pela necessidade de evolução, logo, resgatando e retificando nossos erros passados, assim como o carma de outras vidas, não temos o que temer, a menos que consideremos esse plano material atual como verdade absoluta.