sábado, 18 de abril de 2009

Polaridade da Terra Pode Inverter-se em Breve

"O enfraquecimento gradual do campo magnético da Terra é um fenómeno conhecido há muito tempo. Calcula-se que no último século e meio a sua intensidade se reduziu pelo menos em dez por cento, apesar de em zonas como a Anomalia do Atlântico Sul estar a diminuir dez vezes mais depressa que noutros lugares.
Segundo um estudo científico publicado em Nature Geoscience, este enfraquecimento poderia provocar uma iminente inversão magnética dos pólos.
A Terra, da mesma forma que outros planetas do Sistema Solar, possui um campo magnético que se estende do núcleo até ao exterior, que vai perdendo progressivamente intensidade.
Graças a este campo, o planeta comporta-se como um íman gigante com dois pólos magnéticos que se encontram próximos dos pólos geográficos - o pólo norte magnético está actualmente a 1.800 quilómetros do pólo norte geográfico.
O campo magnético terrestre forma um escudo protector contra o vento solar, que é o fluxo de partículas carregadas de alta energia proveniente do Sol.
Este escudo, conhecido como magnetosfera, é o que protegeu sempre a vida da Terra contra grande parte da radiação que vem do Sol.
Tem-se verificado que a magnetosfera nem sempre teve a mesma força, já que está dependente de oscilações naturais de máxima e mínima intensidade.
Actualmente, a magnetosfera está a enfraquecer progressivamente, mas considera-se que os níveis se encontram ainda acima da média quando comparados com outros períodos recentes.
No entanto, um estudo científico acaba de assinalar que oscilações menores e mais rápidas poderiam diminuir a protecção da magnetosfera numa questão de meses.
O geofísico Mioara Mandea, do Centro de Investigação Alemão GFZ, estuda há anos como os súbitos movimentos de fluidos no interior do núcleo da Terra podem alterar a protecção magnética.
Concretamente, faz referência a mudanças que estão a ocorrer na zona conhecida como Anomalia do Atlântico Sul, um ponto frágil na borbulha magnética protectora da Terra.
O campo magnético da Terra enfraqueceu pelo menos 10% nos últimos 150 anos, o que poderá significar uma próxima inversão dos pólos. Esse enfraquecimento não implica necessariamente a proximidade de uma inversão, mas de uma probabilidade da mesma.
Apesar do seu trabalho ser um dos mais recentes, existem mais estudos que o corroboram. Ainda assim, o consenso geral não existe.
A comunidade científica reconhece que as inversões geomagnéticas são de natureza caótica e não há forma de predizê-las.
Tanto poderiam suceder agora como dentro de milhares de anos. Graças a indícios registados nos sedimentos marítimos, sabe-se que nos últimos cinco milhões de anos, o campo magnético terrestre sofreu mais de vinte inversões, a última das quais há 780.000 anos.
O que poderia acontecer com uma mudança súbita dos pólos magnéticos Norte-Sul é um tema amplamente discutido e sobre o qual não existe consenso científico.
O que se sabe é que a mudança traz consigo um enfraquecimento do campo magnético, seguido de um período de recuperação e reorganização da polaridade oposta.
O efeito mais referido é a vulnerabilidade da Terra perante as tempestades solares. O próprio Mandea afirma que “se houvesse tempestades magnéticas e partículas de alta energia provenientes do Sol, os satélites poderiam ser afectados e perderem as ligações”.
Uma pressão do vento solar suficientemente intensa sobre uma magnetosfera débil, poderia alterar as órbitas dos satélites, danificar as comunicações de todo o planeta, avariar todo o tipo de equipamentos eléctricos e até afectar as pessoas se a radiação fosse bastante intensa.
Como tantos processos naturais movidos por forças caóticas, é imprevisível conhecer quando irá acontecer a próxima inversão magnética polar. Podemos nunca saber ou poderemos vivê-la em breve".



Fonte: http://doc.jurispro.net/articles.php?lng=pt&pg=16927



Link: http://news.nationalgeographic.com/news/2008/06/080630-earth-core.html


Vídeo:

Este vídeo apresenta apenas a 1º parte do programa, as restantes partes encontram-se no You Tube.

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