A profecia desempenhou um papel importante na vida dos maias e ocupou uma posição de destaque na sua literatura. Predizer o futuro era a função de uns tantos dotados para isso – os chilam. A palavra significa porta-voz ou intérprete e eram os chilam que comunicavam ao povo as respostas dos deuses.
De um modo geral, as profecias maias são classificadas em quatro classes: profecias diárias, profecias anuais, profecias para katuns e profecias especiais do regresso de Quetzalcoatl ou Kukulcan.
As profecias diárias são mais propriamente um prognóstico do que uma profecia, feito por adivinhos e não pelos chilam. Cada um dos 260 dias do Tzolkin é especificado como sendo de sorte ou azar e muitos deles são seguidos por outros prognósticos para indicar se o dia é adequado para determinados empreendimentos, de sorte para determinadas profissões e ofícios, auspicioso para a sementeira de determinadas culturas, etc.
No entanto, as profecias anuais, para katuns e sobre o regresso de Kukulcan, pertencem definitivamente ao campo da profecia genuína. E por falar em profecia genuína, abundam “textos proféticos” (essencialmente na Internet) associados aos maias que não o são propriamente.
Os textos originais maias são vagos e alguns encontram-se incompletos, o que dá margem para todo o tipo de interpretações. Deste modo, surgiram interpretações pessoais dos mesmos acerca dos seus calendários e profecias e assim surgiu a criação do mito contemporâneo sobre o apocalipse em 2012. Ora, o ano de 2012 não marca propriamente o fim do calendário maia e quanto ao fim do mundo… Bem, pelo menos os maias, aparentemente, não disseram nada disso...
2012 é o final de um ciclo de tempo ou calendário maia chamado Conta Longa. Além deste, em 2012 terminam ainda outros ciclos ou unidades menores de tempo: fim de um período de 13 baktuns (equivalem a 5125 anos) e dos presentes katun (cerca de 20 anos) e baktun (equivalente a 144,000 dias ou 394,25 anos).
Para que um calendário tenha sentido, é necessário que a sua contagem de tempo inicie com determinada data de referência. Qual teria sido a data zero para o começo do calendário de Conta Longa? Têm havido vários estudos neste sentido e todos concordaram num único ponto: a contagem de tempo maia tem início com o hieróglifo 4 Ahau 8 Kumk’u. No entanto, como deve ser datado esse 4 Ahau 8 Kumk’u? Existem diversas teorias apoiadas em equações matemáticas com base em eventos históricos e astronómicos. No entanto, a data mais aceite é a de John Thompson, que fixou a data zero em 11 de Agosto de 3114 a.C.
(Porque será que o calendário maia começa muito tempo antes da sua efectiva época e porque será que os maias indicam um início fixo para o seu calendário? Há quem defenda que algo muito importante para os antepassados remotos dos maias deve ter acontecido naquela data. Estariam a calcular o tempo dos ciclos em que os seus deuses levavam para regressar do paraíso? Ou realmente calculavam os ciclos de vida da Terra?)
O calendário de Conta Longa dura então 5125 anos e termina em 13.0.0.0.0, data maia que, tomando-se como início do calendário em 11 de Agosto de 3114 a.C., corresponde à data gregoriana de 21/12/2012. Tal não significa que os maias esperassem pelo fim do mundo naquele dia - até porque os povos ameríndios não têm uma concepção linear de tempo que permita pensar num fim absoluto. Este ciclo muito simplesmente pode recomeçar, tal como para nós, o 31 de Dezembro é sucedido pelo 1 de Janeiro, para os maias o dia 22/12/2012 corresponderá ao dia 0.0.0.0.1. A maioria dos investigadores nesta área acredita que, após chegar à data “final”, o calendário se reiniciará.
Em nenhum lugar se diz que o ciclo actual será o último. Entre os imensos textos maias conhecidos, parece haver apenas um que faz menção à data de 2012 - uma inscrição encontrada nas ruínas de Tortuguero (sul do México). Um indício indirecto da mesma “profecia” encontra-se nos livros maias de Chilam Balam. E mesmo esses textos talvez não correspondam ao que entendemos por profecias. Embora os maias tivessem uma visão qualitativa do tempo - havia períodos "benéficos" e "maléficos" - tal não implica que fossem fatalistas.
Mas tudo isto são dados de pesquisas arqueológicas e outros estudos. O que pensam os maias contemporâneos acerca de tudo isto? Depois de quinhentos anos de escravidão, exploração, isolamento, discriminação e pobreza extrema, não é de admirar que os maias tenham perdido alguns dos seus conhecimentos, mas os grandes sábios preservaram-nos e ainda os passam de geração em geração.
Carlos Barrios descende de uma das mais antigas e sagradas linhagens maias e é um reconhecido antropólogo, especializado na História e cultura maias. É também membro do Conselho Guatemalteco dos Anciãos Maias, sacerdote e xamã.
Para ele, esta data não marca o fim do mundo: “os textos antigos religiosos e previsões feitas por profetas famosos têm sido amplamente interpretados por ignorância ou atitude fatalista. Na verdade, esta data é o início de um novo ciclo no calendário maia chamado Job Ajaw, ou O Quinto Sol. É um momento em que haverá um movimento para que tanto a Terra como a humanidade possam chegar ao próximo estágio da evolução. Uma mudança de consciência irá ocorrer, levando a um período de harmonia humana, de compreensão, paz e sabedoria. O período que marca o fim do Quarto Sol - agora - é quando corremos o risco de grandes conflitos e de catástrofes naturais em larga escala, mas está ao nosso alcance impedir que estes aconteçam. A consciência é de extrema importância (…) o nosso destino depende da nossa reacção aos eventos agora (…) Se estamos a promover uma visão positiva para o Quinto Sol, podemos evitar a histeria em massa e assumir a responsabilidade pelo nosso futuro (…) é preciso encontrar uma maneira de trabalhar juntos. Devemos esforçar-nos para viver uma vida simples, harmoniosa, que seja ecologicamente consciente. A solução está dentro de nós, mas não há tempo a perder.”
Outra pessoa que passou grande parte dos últimos 35 anos com povos indígenas é Drunvalo Melchizedek. Ele partilha da opinião de Barrios, de que é importante termos em conta a opinião dos maias de hoje, essencialmente a dos anciãos. Drunvalo reuniu-se com anciãos maias (bem como com os anciãos Hopi, que têm partes de profecias similares às dos maias) e considera que, apesar de 21 de Dezembro de 2012 ser a data do fim do actual calendário maia, tal não significa que algo espectacular vá acontecer nessa exacta data.
Segundo ele, os anciãos maias dizem que o calendário prevê mudanças na Terra e na consciência dos humanos e que ocorrem dentro de um período de sete anos por volta de
Na mitologia maia, os mundos ou eras vão sendo criados e destruídos ciclicamente por decreto dos deuses, para que haja um aperfeiçoamento do ser humano, uma evolução. Assim, o ano de 2012 poderá não ser o fim do mundo, o apocalipse, mas sim uma renovação do mesmo. A renovação implica destruição, o que não quer dizer que haja um fim absoluto, talvez apenas um fim do mundo como o conhecemos e como o interpretamos… Novo ciclo de criação e destruição, continuidade e descontinuidade, talvez um ciclo eterno… Bem, aguardemos o início da era do Quinto Sol.
3 comentários:
perfeito!
O que certo é que o planeta esta a carregar-se dessa missão que é destruir o ser humano e todas as suas criações e cada vez que o tempo passa, podemos ver que alguma coisa ñ está bem, estão a acontecer catástrofes naturais, guerras e alguns seres estão a morrer de uma forma estranha. Seja o que for que esteja para acontecer que pelo menos poupe os bons!
bem...o mundo ñ aguenta tanta poluição,tanta guerra,as bombas feitas pela mão do proprio homem,a profecia mostra que em 2012 pode surgir outras guerras piores como antes,por isso os maias sabiam decifrar o tempo certo para a sabedoria humana do que o homem é capaz em 2012,por isso é claro que tudo um dia irá acabar deus deu o que destroi o planeta ñ é a natureza é o proprio homem...por isso nos mesmo estamos nois destruíndo a´te mesmo um pequeno cigarro que alguem fuma,a criação da borracha por explo.
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