Os livros ou manuscritos de Chilam Balam são os livros sagrados dos maias do Yucatão, constituídos por textos díspares. Os títulos destes livros são complementados pelos nomes das localidades iucatecas a que pertenciam, como Chumayel, Mani e Tizimin. Os maias iucateques atribuíam estes livros a um autor lendário chamado Chilam Balam. Chilam significa um intérprete dos deuses e Balam significa jaguar, mas é também um nome comum no Yucatão, por isso o título poderia ser O Livro do Profeta Balam.
Chilam Balam viveu durante as últimas décadas do século XV e provavelmente as primeiras do século XVI e previu a chegada de estranhos de leste (os espanhóis) que estabeleceriam uma nova religião. A realização imediata dessa previsão reforçou a sua reputação como vidente.
Os textos tratam sobretudo de história (tanto pré-hispânica como colonial), calendários, astrologia, ervas medicinais, rituais, catecismos nativos, contos mitológicos da criação do mundo e profecias. Das profecias, a maioria são desfavoráveis: seca, fome, peste, guerra, convulsões políticas, o saque das cidades e o cativeiro dos habitantes.
Nos Livros de Chilam Balam, encontramos duas diferentes séries de profecias para os períodos de tempo chamados Katun (correspondem a 20 anos), englobando os treze katuns que compõem o registo – ou a Roda - de katuns. Esta começa com o Katun 11 Ahau e acaba com o Katun 13 Ahau. Cada Katun tem o seu nome, o seu ídolo ou divindade ("a face do Katun”), uma profecia dos seus eventos e o nome do lugar onde está "estabelecido" o Katun.
A primeira dessas duas séries é a mais antiga, uma vez que pouco tem em conta os acontecimentos que ocorreram após a conquista espanhola, apesar de a mencionar. A sua linguagem é também um pouco mais simbólica do que a da outra série.
A segunda série de profecias é totalmente registada no Chumayel, mas da primeira série, apenas aparecem versões abreviadas das profecias para os Katun 11, 4, 2 e 13 Ahau. A segunda série está completa no manuscrito de Tizimin, que também contém as profecias da primeira série. Nos Livros de Chilam Balam de Mani, Oxcutzcab e Kaua apenas são encontradas as treze profecias da primeira série. Em ambas as séries de profecias Katun, as alusões mais antigas são acerca da história de Itzá.
Os maias sobrepuseram o ciclo Katun à sua história e supuseram que se repetiria infinitas vezes. Assim, o que ocorreu no passado durante um determinado Katun é esperado que volte a ocorrer no futuro em outro Katun do mesmo nome.
Relativamente ao período actual, encontramo-nos no Katun 4 Ahau, que terminará em 2012. A profecia para o Katun 4 Ahau, segundo o Chilam Balam de Chumayel é a seguinte:
“O Katun é estabelecido em Uuc-yab-Nal no Katun 4 Ahau. À boca do poço, UuC-yab-Nal, ele é estabelecido... Deverá amanhecer/nascer no Sul. O rosto do está coberto/escondido; o seu rosto está morto. Há luto/aflição/lamentos por água, há luto/aflição/lamentos por pão. O seu tapete e o seu trono devem enfrentar/dirigir-se para o Oeste. Vómito de sangue é o fardo. Naquele tempo, a sua tanga e o seu manto serão brancos. Inacesível será o pão do Katun. O quetzal virá; o pássaro verde virá. A árvore kax virá, a ave virá. O tapir virá. O tributo deverá ser escondido à boca do poço.”
Nas décadas seguintes, seguir-se-ão os Katun 2, 13 e 11 Ahau, todos eles com grandes tribulações para a humanidade. De destacar no Katun 13 Ahau a referência a um eclipse solar (ou metáfora para algum outro fenómeno que provoque o desparecimento da luz solar) que durará 5 dias.
1 comentários:
Há muito tempo venho seguindo o trabalho de vocês, muito nobre, por sinal. Acho que devemos juntar forças na divulgação dos atuais acontecimentos, por isso criei um blog para tentar contribuir. Se puder, visite e dê sua opinião.
Abraços e muito (mais) sucesso!
Ale.
http://ordem-natural.blogspot.com
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